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Agora eu sei



No dia 10 de dezembro eu fui assistir o show da Madonna aqui em Santiago. O primeiro show dela aqui em 2008. Tive que trocar minha entrada porque havia comprado para o dia 11, mas depois um professor marcou a ultima prova para essa data, assim fiz das tripas o coração para conseguir trocar meu ingresso.

A principio tinha comprado o ingresso mais barato, para galeria, ou seja, o pior lugar, o que está mais longe do palco. Na hora de fazer a troca, o Rodrigo conseguiu trocar para o campo (o show foi no Estádio Nacional). Fiquei um pouco apreensiva porque eu nunca tinha assistido um show dessa magnitude e sempre escutei muitas historias sobre o desastre que é se meter no campo porque a galera se mata nesse lugar.

A troca foi feita às 19h do mesmo dia em que o show aconteceu. Chegamos no estádio próximo das 20h, o DJ Paul Oakenfold começou a tocar alguns minutos depois da nossa chegada. Não levei maquina fotográfica porque disseram que não poderia entrar, lá dentro descobri que somente eu acreditei na proibição (risos).

Aproximadamente às 21h40 o show da Madonna começou. Só com o apagar das luzes eu já me arrepiei. A cenografia no palco se movia, telas gigantes se transformavam, eu já chorava(choro e me arrepio só em escrever isso e lembrar). A Madonna ainda não estava no palco, mas eu gritava como se ela pudesse me escutar e chorava como se visse meu irmão se casando.

A expressão chilena seria “la cagó”, mas “la cagó” muito. Ainda que tenhamos chegado tarde, conseguimos ficar super perto do palco. Quando eu finalmente consegui ver a mulher, me desmanchei... era impossível não gritar e não vir milhões de imagens na cabeça.

Já não sei quais musicas ela cantou, com qual começou, com qual terminou, só sei que a cada nota, cada timbre da voz, me fazia delirar. Cantei muito errado, meu péssimo inglês não me permitiria acompanhar a Diva com perfeição, mas eu não tava nem ai, cantei assim mesmo.

Eu estava alucinada, como se estivesse drogada, em outra dimensão, era impossível que essa velha magrela loira com uma vida escandalosa e extravagante estivesse ali diante de mim. Era impossível que eu estivesse vendo de pertinho as longas pernas de uma mulher que meu pai jurava ser um homem. Eu não sabia nem no que pensar. Era emoção demais de uma só vez.

Olhava ao meu redor e muita gente estava parada, somente cantando. Parece que os fas chilenos não estavam conectados na mesma sintonia que eu. Pulava mais que pipoca na panela quente, gritava mais que virgem parindo. Não sei, juro que foi êxtase do inicio ao fim, algo que mesmo que eu tente explicar com todas as palavras que conheço, ainda assim não vou conseguir transmitir nem metade do que senti por ver ela tão de perto.

Sim meus queridos futuros filhos, vocês terão que ouvir muitas vezes essa futura mãe dizer: “Filho, eu vi a Madonna quando tinha 26 anos, você nunca irá vê-la”. Desculpe o egoísmo até mesmo com meus filhos (que eu ainda não tenho), mas eles vão ter que escutar essa historia até entenderem o valor que essa mulher tem na nossa geração.

Lembro quando ela tocou no Brasil lá pelos anos 80... lembro que eu vivia no Rio ainda e era muito pequenininha, lembro que meu pai chamava ela de “esse cara gay”, lembro que o show foi um escaaaandalo, que os jornais falaram disso por dias, que as pessoas estavam horrorizadas com a sexualidade que ela mostrava em seu espetáculo. E observem que minha memória é super ruim, pra eu me lembrar disso é porque me marcou mais do que deveria.

Ver o show dela ao vivo e de tão perto foi maravilhoso, é algo indescritível, inesquecível, alucinante. Como o Rodrigo diz, é uma mistura de Cirque Du Soleil com Madonna. É divino, coisa de diva mesmo. Essa é rainha de verdade.

Depois disso posso morrer feliz, faltaria ainda ver Shakira e Michael Jackson, mas só com a Madonna eu já estou satisfeita. E agora sim eu entendo vocês.

Entendo vocês que dormem nas portas dos estádios para serem os primeiros a entrar. Entendo vocês que pagam qualquer coisa pra ver seus artistas favoritos. Entendo vocês que saem do Amazonas para ir até São Paulo só pra poder ouvir a musica ao vivo. Entendo o que vocês me diziam quando estavam por ir ao show de U2, por exemplo (Ketilys, Mayra, Fabinho). Agora entendo a emoção que dá essa coisa...

Não tenho mais expectativas depois dela... tenho a sensação de que nenhum outro show me emocionará... êxtases!

Ainda não encontrei festas boas como no Brasil, mas tenho que concordar que o Halloween chileno é mais divertido. Talvez por movimentar pessoas de todas as idades ou porque justamente eu ainda não tinha visto nenhuma outra festa interessante aqui.

No halloween as pessoas param tudo o que estão fazendo para buscar fantasias e sair na noite de bruxas em busca de diversão. Durante toda a semana não se falava de outra coisa que não fosse o dia 31 de outubro, ou melhor, a noite de 31 de outubro.

Fui convidada para ir a uma festa em uma residência de estudantes, mas não fazia idéia se deveria ir fantasiada ou não. Por fim, decidi ir em busca de algo divertido para usar, afinal festa a fantasia aqui é tão difícil de acontecer quanto terremotos no Brasil. Como vivo perto da Estação Central, fui ate la ver o que encontrava. Sai de casa próximo das 18h e achei que boa parte dos lugares já estariam fechados. Mas para minha surpresa o centro comercial do bairro estava lotado de gente em busca de itens horripilantes para arrasar a noite.

Andei por mais de uma hora olhando tudo. Tudo era interessante e haviam pessoas de todas as idades comprando desde chapéus de bruxas até disfarces completos de Super-Man.
Me aventurei em algo simples, para não ter que gastar muito. Com aproximadamente R$ 10,00 comprei um kit com asas e aureola, para me transformar em uma anjo malvada. A compra me fez lembrar do meu pai, com quem em algum ano eu fiz umas asinhas similares para uma fantasia de fada.

Quando sai a noite, já fantasiada, fiquei impressionada com a quantidade de gente que havia na rua. O relógio marcava algo próximo das 00h e Santiago estava movimentadíssima como eu nunca tinha visto a essa hora. Todas as pessoas com suas roupas sombrias ou disfarces. Eu estava maravilhada.

A festinha na casa foi legal, todos animados e muita risada. Passamos depois pelo bairro Bella Vista e eu achei meio “fome” (sem graça) as pessoas ai. Muitos estavam “normais” e o clima da noite pedia outra coisa. Por isso decidi me encontrar com o Rodrigo para irmos a uma festa chamada Open Blondie.

A Open Blondie é uma que a discoteca Blondie faz todos os anos. O clima é meio underground e o evento espetacular. A festa acontece no Club Hípico de Santiago e o local não poderia ser mais imponente. Uma antiga mansão toda as escuras recebe mais de 2 mil pessoas em oito pistas de dança. Uma loucura, pode acreditar. Bruxas, vampiros, homens espaciais, personagens de filmes, noivas, loucos, enfermeiras, tinha de tudo. Num ambiente respeitoso e agradável a noite foi divertidíssima até que meus pés começaram a reclamar do salto alto e as longas horas em pé, obrigando-me a voltar para casa.

Se você vem para Santiago no final de outubro, não deixe de participar dessa festa e compre sua fantasia, sem ela você se sentirá um peixinho fora d´água.

Bares

Não conheci muitos bares, mas adorei todos os que visitei. Eles chamam os bares de "bar" ou "cafe" ou "pub". Não sei se é um costume normal em Santiago ou se é um costume do Luis, que estava conosco, mas ficamos um tempo em um bar e depois fomos para outro, na mesma noite. Pelo menos meus amigos não costumam fazer isso, passamos a noite toda em um lugar só. Mas me parece que lá é normal ficar um tempo num lugar e depois ir para outro e outro, e enfim, ir rodando...
Os primeiros lugares que conheci foi no bairro Bella Vista, ao pé do morro San Cristóbal. Muito conhecido o bairro porque também é cheio de artesanatos em lapislázuli, tem o morro e uma casa do Pablo Neruda (a Las Chascona), além de inúmeros bares e restaurantes recomendados. Então é ponto obrigatório para turistas.
Os bares pelos quais passamos têm sempre uma jukebox, que você vai lá e escolhe a música que será tocado e o clip passa em um telão. Em alguns também têm música ao vivo, quase sempre bem animadas e chilenas!
Outro lugar que conheci foi em Viña del Mar. Também no mesmo esquema, mas também tinha karaoke. Diversão garantida.
Os bares são parecidos com os daqui, claro que com algumas pequenas diferenças culturais. Nos primeiros percebi que por mais que as músicas fossem dançantes, as pessoas não levantavam de suas cadeiras. Continuavam a se balançar ali mesmo, sentadinhas bebendo. Já em Viña del Mar o pessoal se liberou (risos)!!! Dançam tanto quanto brasileiros e as chilenas adoram rebolar tanto quanto nós...
Outro fato interessante em Santiago é a existência dos chamados "Bar con piernas". O que são os bares com pernas? Nada mais nada menos do que bares abertos, onde não se costuma vender bebida alcóolica, mas apenas café, chá, entre outros, e quem serve são mulheres vestidas com mini-saias. Porém mini-saias normais, sem extravagâncias. E isso é um auge da evolução dos bares na cidade. Há quem afirme que a invenção é de um brasileiro, mas sem comprovações. Ali homens e mulheres podem consumir, mas é claro que os homens são mais vistos nos locais. Estes bares têm janelas largas de vidro ou são amplamente abertos, no centro da cidade, onde qualquer pessoa pode ver as bonitas garçonetes passeando com suas pernas de fora, com um frio de 10° do lado de fora.
Mas a coisa não termina ai, além destes bares existem os "Bar con mas que piernas", e ai acredito que você possa imaginar o que encontra-se la dentro. Não conseguiu visualizar? Vou explicar. São puteiros disfarçados de bares. E também estão espalhados por muitas ruas da cidade, porém estes são todos fechados. A dica que nos deram foi: se você passar na frente de um bar e ele tiver as janelas e portas bem fechadas ou negras, pode acreditar: ali é um bar com mais do que pernas! E os homens entram e saem dali com muita naturalidade, porque o local não é exatamente para o sexo, mas há mulheres nuas ou semi-nuas servindo-os o tempo todo. Uma pequena diversão durante o dia, talvez.