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Por qualquer razao que a psicologia certamente me ajudaria a entender, eu ainda tenho vontade de chorar cada vez que lembro do dia 27 de fevereiro.
A gente finge ser forte, finge que tá tudo bem, continua a vida normal, mas ela segue em frente. Mas la dentro parece que a marca nao vai desaparecer.
Cada vez que alguma coisa me faz lembrar daquela noite em que acordei assustada, me vem uma vontade grande de chorar. A lembranca do barulho das pedras caindo do lado de fora, da sensacao de que a vida nao passaria daquele minuto, das pessoas gritando quando sai na rua, do desespero de todos, das imagens na tv... essa lembranca parece que nao vou conseguir apagar com minha má memória.
Apesar de que o que eu tenha vivido aqui em Santiago nao seja nada perto do que viveram as pessoas nas cidades mais afetadas, eu sei que la no fundo do meu baú pessoal, sempre vou ter guardada uma cartinha que comeca com "27 de fevereiro de 2010, 3:00hrs. Santiago de Chile.
Talvez o vídeo a seguir mostre um pouco do que milhares de pessoas viveram ao mesmo momento que eu:
A gente finge ser forte, finge que tá tudo bem, continua a vida normal, mas ela segue em frente. Mas la dentro parece que a marca nao vai desaparecer.
Cada vez que alguma coisa me faz lembrar daquela noite em que acordei assustada, me vem uma vontade grande de chorar. A lembranca do barulho das pedras caindo do lado de fora, da sensacao de que a vida nao passaria daquele minuto, das pessoas gritando quando sai na rua, do desespero de todos, das imagens na tv... essa lembranca parece que nao vou conseguir apagar com minha má memória.
Apesar de que o que eu tenha vivido aqui em Santiago nao seja nada perto do que viveram as pessoas nas cidades mais afetadas, eu sei que la no fundo do meu baú pessoal, sempre vou ter guardada uma cartinha que comeca com "27 de fevereiro de 2010, 3:00hrs. Santiago de Chile.
Talvez o vídeo a seguir mostre um pouco do que milhares de pessoas viveram ao mesmo momento que eu:
Imprensa brasileira: uma verdadeira vergonha para nós!
1 comentários Postado por Lígia Ferreira às 10:25Dias depois do terremoto, não tenho duvidas de que os jornalistas no Brasil não deveria somente ser obrigados a ter um diploma (coisa que já não necessitam ter), como também passar um longo treinamento de ética, responsabilidade e humanidade.
Parece que falta muito para o jornalista brasileiro ser eficiente e capacitado para a tarefa diária que recebe nos jornais impressos, revistas e televisão.
Hoje, vivendo a realidade de uma tragédia humana bem de perto e acompanhando as noticias no Chile, Argentina, Espanha e Brasil, vejo que falta muito para os profissionais de comunicação social no Brasil serem considerados éticos.
Vi muitas pessoas serem entrevistadas, entre meus amigos alguns, como eu, participaram de entrevistas virtuais para jornais, sites e televisão. Vergonha.
Não faltaram os erros de digitação, a falta de informação do jornalista, a publicação de dados falsos, os erros geográficos, a omissão, a mentira, a não compreensão do que se falava.
Conheço pessoas com histórias trocadas, idades trocadas, cidades natal trocadas, relatos trocados, mentira mentira mentira. Onde está a verdade jornalística? Onde está nossa Federação Nacional dos Jornalistas?
Não existe mais necessidade de verdade para colocar uma matéria no ar? Não existe investigação previa e pos-entrevista?
O que está acontecendo conosco?
Tive a sorte de ser entrevistada por um meio de comunicação que colocou meu relato na integra, sem trocar uma virgula. Agradeço ao jornalista Bruno Constante pela oportunidade que me deu em falar e por ter sido honesto comigo: http://mtv.uol.com.br/noticias/tremor-saiba-o-que-aconteceu-no-chile
Diferente de outros colegas nossos de profissão que não pensaram duas vezes antes de inventar historias para publicar.
Faço novamente um apelo: IMPRENSA BRASILEIRA, PAREM DE FAZER SENSACIONALISMO COM O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO MUNDO. Utilizem o espaço que vocês tem para as coisas reais. Sacar sangue de nós não é tudo o que gera audiência. Sejam mais fiéis a nossa profissão. Estou decepcionada.
Liberdade de expressão não significa comunicar as historias da própria cabeça.
Parece que falta muito para o jornalista brasileiro ser eficiente e capacitado para a tarefa diária que recebe nos jornais impressos, revistas e televisão.
Hoje, vivendo a realidade de uma tragédia humana bem de perto e acompanhando as noticias no Chile, Argentina, Espanha e Brasil, vejo que falta muito para os profissionais de comunicação social no Brasil serem considerados éticos.
Vi muitas pessoas serem entrevistadas, entre meus amigos alguns, como eu, participaram de entrevistas virtuais para jornais, sites e televisão. Vergonha.
Não faltaram os erros de digitação, a falta de informação do jornalista, a publicação de dados falsos, os erros geográficos, a omissão, a mentira, a não compreensão do que se falava.
Conheço pessoas com histórias trocadas, idades trocadas, cidades natal trocadas, relatos trocados, mentira mentira mentira. Onde está a verdade jornalística? Onde está nossa Federação Nacional dos Jornalistas?
Não existe mais necessidade de verdade para colocar uma matéria no ar? Não existe investigação previa e pos-entrevista?
O que está acontecendo conosco?
Tive a sorte de ser entrevistada por um meio de comunicação que colocou meu relato na integra, sem trocar uma virgula. Agradeço ao jornalista Bruno Constante pela oportunidade que me deu em falar e por ter sido honesto comigo: http://mtv.uol.com.br/noticias/tremor-saiba-o-que-aconteceu-no-chile
Diferente de outros colegas nossos de profissão que não pensaram duas vezes antes de inventar historias para publicar.
Faço novamente um apelo: IMPRENSA BRASILEIRA, PAREM DE FAZER SENSACIONALISMO COM O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO MUNDO. Utilizem o espaço que vocês tem para as coisas reais. Sacar sangue de nós não é tudo o que gera audiência. Sejam mais fiéis a nossa profissão. Estou decepcionada.
Liberdade de expressão não significa comunicar as historias da própria cabeça.
"Merda, ta tremendo", foi uma das primeiras coisas que veio na minha cabeca quando tudo comecou.
Às 3h30 da madrugada acordei sentindo tremer minha cama. Minha cachorra, Kate, estava agitada. Eu pensei: "Ah, ta tremendo, vou voltar a dormir".
Aqui no Chile é muito comum que hajam pequenos tremores de terra, que duram poucos segundos e nao assusta muito as pessoas. Eu ja me acostei a acordar de madrugada com isso e aprendi a nao dar muita atencao porque em dois ou tres segundos tudo volta ao normal.
"Merda, ta tremendo", foi a segunda coisa que passou pela cabeca. Abracei a Kate e fiquei sentada na cama por alguns segundos. A coisa continuou, o barulho de pedras caindo do lado de fora me fez saltar e ficar parada debaixo da porta do banheiro.
Em algum momento haviam me falado que numa situacao de terremoto, temos que ficar parados embaixo da marquiza de uma porta. Foi o que eu fiz abracada a cachorrinha que nao parava de latir, chorar e tremer.
Olhos fixos no nada, coracao acelerado, vontade de chorar. Nao se pensa muito nessa hora. Sao muitas emocoes ao mesmo tempo.
Estava com meu pijama rosa claro, pensei: "Por sorte dormi vestida hoje".
Quando a terra parou, nao tinha idéia do que fazer, para onde ir, pra quem ligar. Ia saindo de pijama para perguntar ao porteiro o que eu deveria fazer.
Abri a porta e vi as pessoas descendo pelas escadas.
"Ok Lígia, pensa". Fechei a porta, abri o armario, tudo escuro. Peguei a primeira roupa que tinha por ali, vesti por cima do pijama. Abri a porta novamente.
"Ok Lígia, tranquila, voce tem que estar tranquila, pensa primeiro e age depois". Voltei. Peguei um cartao de credito e o documento chileno, abracei a Kate e agora sim, saímos.
No saguao do predio estavam muitas pessoas. Eu nao tinha ideia do que deveria fazer, para onde ir, onde me esconder. Queria gritar, chorar, ligar pra minha família. Nao podia acordar meus pais numa madrugada e dizer: "Oi pai, oi mae, to aqui num terremoto, ta super emocionante e eu amo voces".
Olhava pros lados e nenhuma luz. O celular nao funcionava, queria saber se meus amigos estavam bem. Por fim consigo falar com uma amiga.
"Oi ta tudo bem? - Ta tudo bem, so nao sei o que fazer. - Ah vai pra rua, fica ai, vem replica disso, vai tremer de novo"
Pouts, obrigada amiga, voce me deixou bem tranquila.
Ok, proxima chamada para um chileno:
"Oi, como voce ta? - Com medo, nao sei o que fazer. - Puxa Lígia, fica tranquila, la em Valparaiso..."
Puta que pariu... o que passa com essas pessoas? eu nao queria saber as notícias nacionais e nem que viria outro tremor, estava em PANICO e tentando, sozinha, me tranquilizar.
Por fim, uma amiga que mora ha uma quadra me chamou e passei a noite com ela na esquina, a espera de nao sei o que.
Às 8h voltei pra minha casa, entre medo e vontade de dormir, comer, fazer xixi, chorar. Escolhi dormir e ver depois o que fazer.
Deitei, fechei os olhos e advinha? Voltou a tremer. Bem leve dessa vez, mas eu pulei da cama e ja tava na porta de sapato, mochila e Kate na mao.
Alguns minutos depois voltei a dormir, entre um telefonema e outro. Nao conseguia falar com minha família. Queria dizer que eu estava bem antes que eles vissem as notícias.
Infelizmente nao deu tempo. Quando finalmente falei com meu pai, ele ja sabia do que tinha acontecido e vários amigos tinham ligado para eles em busca de informacoes sobre mim.
Por último, porque agora tenho que ir organizar a casa e ver meus amigos daqui, quero dizer a todos que os AMO muito, estou bem, a cidade nao está tao afetada, mas obviamente PASSAMOS POR UM TERREMOTO. Eu ainda estou assustada, com o coracao acelerado, tentando manter a calma, mas o mais importante disso tudo é que estou viva, estou bem e agora tenho forcas para ir ver a situacao dos outros e ajudar no que puder.
Obrigada a todos pelo carinho. Nesse momento, ter amigos e amor é a melhor coisa que podemos ter.
