Mostrando postagens com marcador ski. Mostrar todas as postagens
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Diferente do que acontece no Brasil, aqui no Chile as estações do ano são bem determinadas e terminam e começam exatamente quando têm que terminar e começar.
No Brasil observamos a diferença somente entre verão e inverno, nossa primavera e outono não existem como aprendemos nos livros escolares: as flores não florescem na primavera e as folhas não caem no outono. Tudo o que sabemos é que no meio no ano faz “frio” e que em todos os outros meses, teremos calor.
Já aqui no Chile as estações são lindamente distintas. É lindo no outono ver folhas secas pelo chão e as arvores completamente “peladas”, da mesma forma como na primavera as flores estão gritando com suas cores por todos os lados. E seria demasiado falar em verão e inverno, são os verdadeiros opostos em tudo.
Hoje termina o inverno. Ainda estou trabalhando no Valle Nevado e já faz uma semana que percebi a diferença entre as duas estações. O que antes era somente frio, agora já amanhece com um sol agradável de primavera que passa o dia aquecendo o quanto pode.
Essa é minha última semana aqui há três mil metros de altura. A um princípio eu estava contente, porque depois de três meses eu já não suportava mais olhar para a neve e sentir frio, não ter sol.
Mas nestes últimos dias, olhar para a montanha branca com esse céu azul e o sol se esforçando para nem derreter a neve e nem nos deixar com frio, poxa, não tenho como não sentir umas borboletas dentro do meu peito.
Eu quero muito voltar para Santiago, porque adoro morar nessa cidade e receber toda a loucura diária que ela me proporciona. Mas nestes momentos de semi-despedida, acho que sentirei falta também da tranqüilidade de se viver na montanha, dos amigos que fiz, das pessoas que conheci, de tudo o que vi e vivi.
Hoje termina o inverno. Daqui quatro dias termina minha temporada nesse paraíso quase natural. Chegarei em Santiago em uma época em que as árvores estarão verdes e floridas. Feliz. Passei três meses maravilhosos aqui encima e sei que passarei outros tantos la embaixo.
Quando cheguei ao Valle Nevado tudo era novidade e meus olhos brilhavam por estar presenciando tantas alegrias. Os dias passaram e eu deixei de me apaixonar pelas coisas. Agora, como um encanto, aqui estou eu maravilhada de novo. Cada época com seus momentos únicos, com paisagens únicas, a cada dia havia uma novidade.
Que feliz sou por poder viver tudo isso. Que presente recebi. Quantas alegrias esse mundo ainda pode me brindar?
No Brasil observamos a diferença somente entre verão e inverno, nossa primavera e outono não existem como aprendemos nos livros escolares: as flores não florescem na primavera e as folhas não caem no outono. Tudo o que sabemos é que no meio no ano faz “frio” e que em todos os outros meses, teremos calor.
Já aqui no Chile as estações são lindamente distintas. É lindo no outono ver folhas secas pelo chão e as arvores completamente “peladas”, da mesma forma como na primavera as flores estão gritando com suas cores por todos os lados. E seria demasiado falar em verão e inverno, são os verdadeiros opostos em tudo.
Hoje termina o inverno. Ainda estou trabalhando no Valle Nevado e já faz uma semana que percebi a diferença entre as duas estações. O que antes era somente frio, agora já amanhece com um sol agradável de primavera que passa o dia aquecendo o quanto pode.
Essa é minha última semana aqui há três mil metros de altura. A um princípio eu estava contente, porque depois de três meses eu já não suportava mais olhar para a neve e sentir frio, não ter sol.
Mas nestes últimos dias, olhar para a montanha branca com esse céu azul e o sol se esforçando para nem derreter a neve e nem nos deixar com frio, poxa, não tenho como não sentir umas borboletas dentro do meu peito.
Eu quero muito voltar para Santiago, porque adoro morar nessa cidade e receber toda a loucura diária que ela me proporciona. Mas nestes momentos de semi-despedida, acho que sentirei falta também da tranqüilidade de se viver na montanha, dos amigos que fiz, das pessoas que conheci, de tudo o que vi e vivi.
Hoje termina o inverno. Daqui quatro dias termina minha temporada nesse paraíso quase natural. Chegarei em Santiago em uma época em que as árvores estarão verdes e floridas. Feliz. Passei três meses maravilhosos aqui encima e sei que passarei outros tantos la embaixo.
Quando cheguei ao Valle Nevado tudo era novidade e meus olhos brilhavam por estar presenciando tantas alegrias. Os dias passaram e eu deixei de me apaixonar pelas coisas. Agora, como um encanto, aqui estou eu maravilhada de novo. Cada época com seus momentos únicos, com paisagens únicas, a cada dia havia uma novidade.
Que feliz sou por poder viver tudo isso. Que presente recebi. Quantas alegrias esse mundo ainda pode me brindar?
Marcadores: clima, neve, ski, Valle Nevado
Segunda o dia estava lindo, um sol quentinho e gostoso, já não nevava mais, o céu azul de um azul pintado a lápis de cor. A montanha completamente branca, inteira, era como andar nas nuvens, como dizia minha mãe há dois anos... Deus realmente é muito maravilhoso em criar coisas tão lindas e diferentes nos lugares do mundo.
Minha boca na segunda já quase não existia, de tanto vento gelado que tocou, puras escamas.
Mas o dia começou maravilhosamente bem. Ao sair do alojamento eu achei ter visto pela primeira vez uma aurora boreal. Minha amiga Mayra, ao ver a foto, também pensou o mesmo, mas lendo depois sobre a aurora boreal, percebi que na verdade não foi ela quem eu vi, mas sim algum jogo de luzes e cores que a combinação de neve+sol+atmosfera criou. (leiam algo sobre aurora boreal em: Aurora Boreal). Acredito que uma aurora boreal seja muito mais magnífico do que o que eu vi.
Fiquei muito tempo admirando toda a paisagem a minha volta. Tudo era lindo. Estou apaixonada pela neve, por essa vida, por todas as coisas que Deus tem me proporcionado.
Cheguei ao trabalho e fui confirmar minha decida naquele dia, já que no dia seguinte eu teria que trabalhar na universidade. Me informaram que somente ao meio dia teriam a resposta se o caminho para Valle Nevado estaria liberado, já que o risco da neve descer ainda existia, então por seguranca não estavam permitindo o transito.
Fiquei assustada, eu teria que estar em Santiago no dia seguinte. Pouco tempo depois minha chefa passou por ali e falou que o caminho estava fechado. Acho que olhei pra ela tão desesperada que possivelmente lhe deu pena. Ela disse que ia ver como eu desceria.
Passaram algumas poucas horas, ela voltou e disse: LIGIA, PEGA SUAS COISAS AGORA, FECHA O SEU CAIXA QUE VOCE VAI DESCER DE HELICOPTERO AGORA.
Eu: vou descer de quê??????
As outras meninas riram... eu não sabia se ficava feliz ou com medo... Decidi ficar feliz...
Minha boca na segunda já quase não existia, de tanto vento gelado que tocou, puras escamas.
Fiquei muito tempo admirando toda a paisagem a minha volta. Tudo era lindo. Estou apaixonada pela neve, por essa vida, por todas as coisas que Deus tem me proporcionado.
Cheguei ao trabalho e fui confirmar minha decida naquele dia, já que no dia seguinte eu teria que trabalhar na universidade. Me informaram que somente ao meio dia teriam a resposta se o caminho para Valle Nevado estaria liberado, já que o risco da neve descer ainda existia, então por seguranca não estavam permitindo o transito.
Fiquei assustada, eu teria que estar em Santiago no dia seguinte. Pouco tempo depois minha chefa passou por ali e falou que o caminho estava fechado. Acho que olhei pra ela tão desesperada que possivelmente lhe deu pena. Ela disse que ia ver como eu desceria.
Passaram algumas poucas horas, ela voltou e disse: LIGIA, PEGA SUAS COISAS AGORA, FECHA O SEU CAIXA QUE VOCE VAI DESCER DE HELICOPTERO AGORA.
Eu: vou descer de quê??????
Marcadores: neve, ski, Valle Nevado
No domingo, meu segundo dia, acordei junto com as meninas do quarto (durmo com outras três meninas, uma delas brasileira). Estava nevando forte! Com vento... nevando MUITO. Pus toda a roupa que eu podia colocar e muitas meias, na verdade não sabia como me comportar para essa situação.
Andar na neve até o lugar onde tomamos café da manhã foi emocionante, eu não conseguia parar de sorrir. As meninas me olhavam impressionadas, para elas aquilo é normal, para mim, momento único que provavelmente vou viver muitas vezes nos próximos meses trabalhando la. Mas ali era a primeira vez que eu via neve caindo do céu e ficando grudada na minha cabeça, roupa, corpo. Que momento lindo.
Lembrei da primeira vez em que havia estado na Cordilheira dos Andes andando na neve. Agosto de 2007, quando estive no Chile com a minha mãe. Lembro que ouvir minha mãe me dizer: “Isso aqui parece o céu, é como estar no céu, tudo branquinho”.
Lembrei do quanto fiquei emocionada em todo o caminho, por ver paisagens que eu jurava que nunca veria.
Naquele domingo a vista era toda branca, não se via muita coisa, o horizonte desapareceu, só neve por todos os lados. O que antes estava só no chão, pelas montanhas, agora já subia até a altura da canela... O telhado dos hotéis branquinho, a neve caindo... eu estava contente em viver isso.
O dia foi passando e nevou muito, com muito vento, vento forte, dentro da loja escutava o barulho do lado de fora e a neve sendo jogada de um lado pro outro... Aqueles floquinhos brancos caindo. Lindos, mas também assustadores. Cena de filme que eu achei que nunca veria em vivo.
(Vejam o video: De dentro da Escola)
Terminou o dia e continuava nevando muito, nos avisaram que naquele momento não seria possível voltar pro alojamento, a quantidade de neve que caiu já estava muito alta em algumas áreas e não dava pra passar se não tivesse experiência. Decidimos esperar antes de descer pros nossos quartos.
Nevava, a gente escorregava no gelo porque os sapatos não são apropriados, eu já estava com os pés todo molhados novamente... os meninos se jogavam na neve, era divertido, se jogavam e afundavam ate o chão, sumiam...
Fomos pra sala de jogos e ficamos por ali jogando conversa fora até que o pessoal da prevenção de riscos veio pedir a todos que voltassem para os seus quartos. Já era possível fazer isso e que dali por diante a nevasca só pioraria.
Nos abrigamos com o que tínhamos nesse momento, nos juntamos e descemos juntos como a recomendação do pessoal. Eu estava maravilhada, não conseguia sentir medo porque era tudo muito lindo pra mim, estava apreensiva, mas não com medo. Ver tanta neve por todos lados era emocionantemente bom.
Lindo lindo lindo! Não da pra descrever minha emoção em viver tudo isso, eu estava muito feliz.
Andar na neve até o lugar onde tomamos café da manhã foi emocionante, eu não conseguia parar de sorrir. As meninas me olhavam impressionadas, para elas aquilo é normal, para mim, momento único que provavelmente vou viver muitas vezes nos próximos meses trabalhando la. Mas ali era a primeira vez que eu via neve caindo do céu e ficando grudada na minha cabeça, roupa, corpo. Que momento lindo.
Lembrei da primeira vez em que havia estado na Cordilheira dos Andes andando na neve. Agosto de 2007, quando estive no Chile com a minha mãe. Lembro que ouvir minha mãe me dizer: “Isso aqui parece o céu, é como estar no céu, tudo branquinho”.
Lembrei do quanto fiquei emocionada em todo o caminho, por ver paisagens que eu jurava que nunca veria.
Naquele domingo a vista era toda branca, não se via muita coisa, o horizonte desapareceu, só neve por todos os lados. O que antes estava só no chão, pelas montanhas, agora já subia até a altura da canela... O telhado dos hotéis branquinho, a neve caindo... eu estava contente em viver isso.
O dia foi passando e nevou muito, com muito vento, vento forte, dentro da loja escutava o barulho do lado de fora e a neve sendo jogada de um lado pro outro... Aqueles floquinhos brancos caindo. Lindos, mas também assustadores. Cena de filme que eu achei que nunca veria em vivo.
(Vejam o video: De dentro da Escola)
Terminou o dia e continuava nevando muito, nos avisaram que naquele momento não seria possível voltar pro alojamento, a quantidade de neve que caiu já estava muito alta em algumas áreas e não dava pra passar se não tivesse experiência. Decidimos esperar antes de descer pros nossos quartos.
Nevava, a gente escorregava no gelo porque os sapatos não são apropriados, eu já estava com os pés todo molhados novamente... os meninos se jogavam na neve, era divertido, se jogavam e afundavam ate o chão, sumiam...
Fomos pra sala de jogos e ficamos por ali jogando conversa fora até que o pessoal da prevenção de riscos veio pedir a todos que voltassem para os seus quartos. Já era possível fazer isso e que dali por diante a nevasca só pioraria.
Nos abrigamos com o que tínhamos nesse momento, nos juntamos e descemos juntos como a recomendação do pessoal. Eu estava maravilhada, não conseguia sentir medo porque era tudo muito lindo pra mim, estava apreensiva, mas não com medo. Ver tanta neve por todos lados era emocionantemente bom.
Lindo lindo lindo! Não da pra descrever minha emoção em viver tudo isso, eu estava muito feliz.
Marcadores: clima, neve, ski, Valle Nevado
Meu primeiro dia na neve foi muito tranqüilo, minha chefa me apresentou os espaços mais necessários para naqueles primeiros momentos e depois fui conhecer minhas companheiras de trabalho. Algumas já trabalham no inverno há anos, passam de um centro de ski a outro, de um país para outro, em busca de neve, trabalho e dinheiro.
No final daquele dia eu não sabia o que fazer, minhas coisas estavam no quarto da gerente e eu não conhecia nada nem ninguém. Então acompanhei as meninas novas a dar uma volta pelo complexo turístico. Fazia muito frio e eu estava com os pés molhados por andar na neve com tênis normal.
Conhecemos algumas coisas e depois fomos pro alojamento que parece um campo de concentração de guerra, são quatro blocos de alojamento, com dois andares cada um. O primeiro é para os chefes de departamentos, onde os quartos são para no máximo três pessoas e existe um banheiro privado. O segundo, onde eu dormirei, são para os funcionários e professores de ski, o banheiro é compartido para cada dois quartos, onde quatro pessoas dormem em cada. O terceiro é para as mulheres temporárias e estagiárias, os quartos são para quatro pessoas e o banheiro é como em uma academia, compartido entre todos do andar. O último é igual ao terceiro, porém somente para homens.
Pra passar o tempo subimos para uma sala de jogos que os funcionários podem usar. Brincamos um pouco de pimbolim, vimos televisão, fizemos amizade. Não tinha muito o que fazer. Finalmente busquei minhas coisas e fui dormir, super cansada. Começava a nevar naquela noite, mas muito fininho, meu coração acelerou...
No final daquele dia eu não sabia o que fazer, minhas coisas estavam no quarto da gerente e eu não conhecia nada nem ninguém. Então acompanhei as meninas novas a dar uma volta pelo complexo turístico. Fazia muito frio e eu estava com os pés molhados por andar na neve com tênis normal.
Conhecemos algumas coisas e depois fomos pro alojamento que parece um campo de concentração de guerra, são quatro blocos de alojamento, com dois andares cada um. O primeiro é para os chefes de departamentos, onde os quartos são para no máximo três pessoas e existe um banheiro privado. O segundo, onde eu dormirei, são para os funcionários e professores de ski, o banheiro é compartido para cada dois quartos, onde quatro pessoas dormem em cada. O terceiro é para as mulheres temporárias e estagiárias, os quartos são para quatro pessoas e o banheiro é como em uma academia, compartido entre todos do andar. O último é igual ao terceiro, porém somente para homens.
Pra passar o tempo subimos para uma sala de jogos que os funcionários podem usar. Brincamos um pouco de pimbolim, vimos televisão, fizemos amizade. Não tinha muito o que fazer. Finalmente busquei minhas coisas e fui dormir, super cansada. Começava a nevar naquela noite, mas muito fininho, meu coração acelerou...
Marcadores: neve, ski, Valle Nevado
Esse final de semana subi para trabalhar no Valle Nevado. Ai vai um resumo das alegrias que vivi em tão pouco tempo:
Me ligaram na tarde de sexta-feira avisando que eu deveria subir as 20h desse mesmo dia e não no sábado pela manha como estava programado. Um professor de ski passaria para me buscar e assim eu não precisaria subir com o ônibus que leva todos os funcionários pra lá.
A gerente do setor onde to trabalhando, Myrian, sempre me atendeu com muita boa vontade, por isso me deu a opção de subir segura com um professor do que ir pela manha de sábado com o ônibus.
O problema é que eu não tinha nada arrumado. Estava planejando arrumar minhas coisas na sexta à noite. Saí do trabalho às 18h e corri no centro de Santiago pra ver se encontrava um tênis impermeável, porque era a única coisa que eu imaginava precisar realmente comprar, o resto já tinha, era só arrumar.
Rodei varias lojas e só encontrava tênis pra homem. O machismo aqui chega ao máximo, mulher não tem direito a praticar esporte que não seja caminhada e hidroginástica. Nas lojas de material esportivo só tinham sapatos especiais para homens, nada para mulher... preconceito no limite da tolerância!!!
Bom, sem opção voltei pra casa e coloquei na maleta o que achei q iria precisar: meia calça, blusa de frio, remédios, toca, luva, óculos, etc... a maleta era pequena, como passaria só dois dias la encima, não enfiei muita coisa.
Antes de sair de casa me deu um medo, uma vontade de não ir, pensava que as pessoas já estavam todas la encima e eu ia chegar sem conhecer ninguém, ser mal recebida, enfim, deu medo tonto de algo novo...
Cheguei ao precioso Valle Nevado as 23h30... me disseram que eu passaria muito mal no primeiro dia, pela mudança de temperatura e pela altitude. Mas eu não senti nada.
O professor que me levou, Max, um senhor que há 17 anos faz aulas de ski, foi muito simpático, conversou comigo o tempo todo e foi me explicando como funcionavam as coisas.
Ele me levou até o quarto onde eu deveria dormir, mas já tinham ocupado as camas. Começamos a procurar a chefe da loja pra saber onde eu dormiria. A maioria das pessoas já estava dormindo a essa hora e ele não sabia em que quarto ela estava. Aliás, ninguém sabia... liguei pra Myrian e ela disse: VEM PRO MEU QUARTO AGORA, O MAX SABE ONDE É, VOCE DORME AQUI COMIGO.
Então, na sexta dormi no hotel do Valle Nevado, no quarto da Myrian, que é como um pequeno apartamento, com cozinha, sala, tudo... agradeci muito a ela e fomos dormir, já era tarde.
Esses foram meus primeiros passos a 3.000 metros de altura.
Me ligaram na tarde de sexta-feira avisando que eu deveria subir as 20h desse mesmo dia e não no sábado pela manha como estava programado. Um professor de ski passaria para me buscar e assim eu não precisaria subir com o ônibus que leva todos os funcionários pra lá.
A gerente do setor onde to trabalhando, Myrian, sempre me atendeu com muita boa vontade, por isso me deu a opção de subir segura com um professor do que ir pela manha de sábado com o ônibus.
O problema é que eu não tinha nada arrumado. Estava planejando arrumar minhas coisas na sexta à noite. Saí do trabalho às 18h e corri no centro de Santiago pra ver se encontrava um tênis impermeável, porque era a única coisa que eu imaginava precisar realmente comprar, o resto já tinha, era só arrumar.
Rodei varias lojas e só encontrava tênis pra homem. O machismo aqui chega ao máximo, mulher não tem direito a praticar esporte que não seja caminhada e hidroginástica. Nas lojas de material esportivo só tinham sapatos especiais para homens, nada para mulher... preconceito no limite da tolerância!!!
Bom, sem opção voltei pra casa e coloquei na maleta o que achei q iria precisar: meia calça, blusa de frio, remédios, toca, luva, óculos, etc... a maleta era pequena, como passaria só dois dias la encima, não enfiei muita coisa.
Antes de sair de casa me deu um medo, uma vontade de não ir, pensava que as pessoas já estavam todas la encima e eu ia chegar sem conhecer ninguém, ser mal recebida, enfim, deu medo tonto de algo novo...
Cheguei ao precioso Valle Nevado as 23h30... me disseram que eu passaria muito mal no primeiro dia, pela mudança de temperatura e pela altitude. Mas eu não senti nada.
O professor que me levou, Max, um senhor que há 17 anos faz aulas de ski, foi muito simpático, conversou comigo o tempo todo e foi me explicando como funcionavam as coisas.
Ele me levou até o quarto onde eu deveria dormir, mas já tinham ocupado as camas. Começamos a procurar a chefe da loja pra saber onde eu dormiria. A maioria das pessoas já estava dormindo a essa hora e ele não sabia em que quarto ela estava. Aliás, ninguém sabia... liguei pra Myrian e ela disse: VEM PRO MEU QUARTO AGORA, O MAX SABE ONDE É, VOCE DORME AQUI COMIGO.
Então, na sexta dormi no hotel do Valle Nevado, no quarto da Myrian, que é como um pequeno apartamento, com cozinha, sala, tudo... agradeci muito a ela e fomos dormir, já era tarde.
Esses foram meus primeiros passos a 3.000 metros de altura.
Marcadores: neve, ski, Valle Nevado