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Efeitos

Por qualquer razao que a psicologia certamente me ajudaria a entender, eu ainda tenho vontade de chorar cada vez que lembro do dia 27 de fevereiro.

A gente finge ser forte, finge que tá tudo bem, continua a vida normal, mas ela segue em frente. Mas la dentro parece que a marca nao vai desaparecer.

Cada vez que alguma coisa me faz lembrar daquela noite em que acordei assustada, me vem uma vontade grande de chorar. A lembranca do barulho das pedras caindo do lado de fora, da sensacao de que a vida nao passaria daquele minuto, das pessoas gritando quando sai na rua, do desespero de todos, das imagens na tv... essa lembranca parece que nao vou conseguir apagar com minha má memória.

Apesar de que o que eu tenha vivido aqui em Santiago nao seja nada perto do que viveram as pessoas nas cidades mais afetadas, eu sei que la no fundo do meu baú pessoal, sempre vou ter guardada uma cartinha que comeca com "27 de fevereiro de 2010, 3:00hrs. Santiago de Chile.

Talvez o vídeo a seguir mostre um pouco do que milhares de pessoas viveram ao mesmo momento que eu:


Dias depois do terremoto, não tenho duvidas de que os jornalistas no Brasil não deveria somente ser obrigados a ter um diploma (coisa que já não necessitam ter), como também passar um longo treinamento de ética, responsabilidade e humanidade.

Parece que falta muito para o jornalista brasileiro ser eficiente e capacitado para a tarefa diária que recebe nos jornais impressos, revistas e televisão.

Hoje, vivendo a realidade de uma tragédia humana bem de perto e acompanhando as noticias no Chile, Argentina, Espanha e Brasil, vejo que falta muito para os profissionais de comunicação social no Brasil serem considerados éticos.

Vi muitas pessoas serem entrevistadas, entre meus amigos alguns, como eu, participaram de entrevistas virtuais para jornais, sites e televisão. Vergonha.
Não faltaram os erros de digitação, a falta de informação do jornalista, a publicação de dados falsos, os erros geográficos, a omissão, a mentira, a não compreensão do que se falava.
Conheço pessoas com histórias trocadas, idades trocadas, cidades natal trocadas, relatos trocados, mentira mentira mentira. Onde está a verdade jornalística? Onde está nossa Federação Nacional dos Jornalistas?
Não existe mais necessidade de verdade para colocar uma matéria no ar? Não existe investigação previa e pos-entrevista?
O que está acontecendo conosco?

Tive a sorte de ser entrevistada por um meio de comunicação que colocou meu relato na integra, sem trocar uma virgula. Agradeço ao jornalista Bruno Constante pela oportunidade que me deu em falar e por ter sido honesto comigo: http://mtv.uol.com.br/noticias/tremor-saiba-o-que-aconteceu-no-chile

Diferente de outros colegas nossos de profissão que não pensaram duas vezes antes de inventar historias para publicar.

Faço novamente um apelo: IMPRENSA BRASILEIRA, PAREM DE FAZER SENSACIONALISMO COM O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO MUNDO. Utilizem o espaço que vocês tem para as coisas reais. Sacar sangue de nós não é tudo o que gera audiência. Sejam mais fiéis a nossa profissão. Estou decepcionada.

Liberdade de expressão não significa comunicar as historias da própria cabeça.

Merda, ta tremendo


"Merda, ta tremendo", foi uma das primeiras coisas que veio na minha cabeca quando tudo comecou.
Às 3h30 da madrugada acordei sentindo tremer minha cama. Minha cachorra, Kate, estava agitada. Eu pensei: "Ah, ta tremendo, vou voltar a dormir".
Aqui no Chile é muito comum que hajam pequenos tremores de terra, que duram poucos segundos e nao assusta muito as pessoas. Eu ja me acostei a acordar de madrugada com isso e aprendi a nao dar muita atencao porque em dois ou tres segundos tudo volta ao normal.

"Merda, ta tremendo", foi a segunda coisa que passou pela cabeca. Abracei a Kate e fiquei sentada na cama por alguns segundos. A coisa continuou, o barulho de pedras caindo do lado de fora me fez saltar e ficar parada debaixo da porta do banheiro.

Em algum momento haviam me falado que numa situacao de terremoto, temos que ficar parados embaixo da marquiza de uma porta. Foi o que eu fiz abracada a cachorrinha que nao parava de latir, chorar e tremer.

Olhos fixos no nada, coracao acelerado, vontade de chorar. Nao se pensa muito nessa hora. Sao muitas emocoes ao mesmo tempo.

Estava com meu pijama rosa claro, pensei: "Por sorte dormi vestida hoje".
Quando a terra parou, nao tinha idéia do que fazer, para onde ir, pra quem ligar. Ia saindo de pijama para perguntar ao porteiro o que eu deveria fazer.

Abri a porta e vi as pessoas descendo pelas escadas.
"Ok Lígia, pensa". Fechei a porta, abri o armario, tudo escuro. Peguei a primeira roupa que tinha por ali, vesti por cima do pijama. Abri a porta novamente.

"Ok Lígia, tranquila, voce tem que estar tranquila, pensa primeiro e age depois". Voltei. Peguei um cartao de credito e o documento chileno, abracei a Kate e agora sim, saímos.

No saguao do predio estavam muitas pessoas. Eu nao tinha ideia do que deveria fazer, para onde ir, onde me esconder. Queria gritar, chorar, ligar pra minha família. Nao podia acordar meus pais numa madrugada e dizer: "Oi pai, oi mae, to aqui num terremoto, ta super emocionante e eu amo voces".

Olhava pros lados e nenhuma luz. O celular nao funcionava, queria saber se meus amigos estavam bem. Por fim consigo falar com uma amiga.

"Oi ta tudo bem? - Ta tudo bem, so nao sei o que fazer. - Ah vai pra rua, fica ai, vem replica disso, vai tremer de novo"
Pouts, obrigada amiga, voce me deixou bem tranquila.

Ok, proxima chamada para um chileno:
"Oi, como voce ta? - Com medo, nao sei o que fazer. - Puxa Lígia, fica tranquila, la em Valparaiso..."

Puta que pariu... o que passa com essas pessoas? eu nao queria saber as notícias nacionais e nem que viria outro tremor, estava em PANICO e tentando, sozinha, me tranquilizar.

Por fim, uma amiga que mora ha uma quadra me chamou e passei a noite com ela na esquina, a espera de nao sei o que.

Às 8h voltei pra minha casa, entre medo e vontade de dormir, comer, fazer xixi, chorar. Escolhi dormir e ver depois o que fazer.

Deitei, fechei os olhos e advinha? Voltou a tremer. Bem leve dessa vez, mas eu pulei da cama e ja tava na porta de sapato, mochila e Kate na mao.

Alguns minutos depois voltei a dormir, entre um telefonema e outro. Nao conseguia falar com minha família. Queria dizer que eu estava bem antes que eles vissem as notícias.

Infelizmente nao deu tempo. Quando finalmente falei com meu pai, ele ja sabia do que tinha acontecido e vários amigos tinham ligado para eles em busca de informacoes sobre mim.

Por último, porque agora tenho que ir organizar a casa e ver meus amigos daqui, quero dizer a todos que os AMO muito, estou bem, a cidade nao está tao afetada, mas obviamente PASSAMOS POR UM TERREMOTO. Eu ainda estou assustada, com o coracao acelerado, tentando manter a calma, mas o mais importante disso tudo é que estou viva, estou bem e agora tenho forcas para ir ver a situacao dos outros e ajudar no que puder.

Obrigada a todos pelo carinho. Nesse momento, ter amigos e amor é a melhor coisa que podemos ter.



Estou trabalhando como assistente de marketing e vendas. Meu trabalho de conclusão de curso não foi adiante, nem irá, fica pra 2010 outra vez. Mudei de casa, agora com um apartamento para mim e Kate. Meu pai está no Chile.

Sim, MEU PAI ESTÁ NO CHILE. Sim, eu estou gritando com vocês.

Como estou trabalhando, fui ao Brasil somente para passar o natal com a minha família. Momento único e que, outra vez, me encheu de energia. Na volta, domingo passado, seu Jao decidiu que queria vir comigo.

É uma mistura de surpresa, alegria, nervosismo, esperança. Imaginávamos, toda a família, que ele nunca viajaria de avião, seja para qualquer lugar do planeta. Para mim, a responsabilidade de estar ao seu lado e saber o que fazer em uma situação de emergência, era de muita pressão para pouco conhecimento.

E contrariando todas as previsões, durante todo o trajeto entre minha casa no Brasil e minha casa no Chile, ele se comportou super bem e não sentiu nada mais além de uma dor de cabeça durante o vôo.

Hoje, três dias depois, ele já fala em querer voltar, em deixar algumas coisas para vir e ficar mais tempo, em querer conhecer a cidade com calma, etc. Se eu soubesse que seria tão fácil, não tinha ficado apreensiva durante toda a segunda-feira, quando não consegui comer, dormir, trabalhar... uff papai, ta sendo tudo melhor do que o imaginado.

Ainda faltam quatro dias para que ele volte ao Brasil, ao pensar nisso já vem um pouco de melancolia. Sempre disse que para que o Chile fosse perfeito, só faltaria minha família vir morar aqui. Ter meu pai comigo por alguns dias é ter a esperança de que esse meu sonho possa se realizar.

Renasci




Desde marco, quando voltei das férias no Brasil, minha vida foi dando voltas atrás de voltas. Mudanças que, no momento em que aconteceram, não eram tão significativas, mas que depois percebi que me fizeram “enlouquecer”.

O fim de um relacionamento, a ruptura de uma rotina que eu já estava adaptada, a busca de uma nova moradia, de trabalho, a mudança dos companheiros de universidade, a chegada da Kate, o fim da carreira, o encontro de trabalho, a descoberta de outros brasileiros, a troca de um escritório pelas montanhas da cordilheira, o encontro de um novo amor, o fim da era Valle Nevado, o momento para os amigos na noite de Santiago, o inicio do trabalho de conclusão de curso, a chamada para um emprego estruturado, a solta das amarras de um amor platônico, a saudade da família e amigos, ups, colapsei!

Na semana passada foi o bum de toda a loucura pela qual passei em nove meses de vida. Finalmente nasci!

Foi uma semana complicada, alias, o ultimo mês foi bem complicado para mim. Com a entrega do trabalho de conclusão eu enlouqueci, fugi o máximo que pude dos amigos e me meti de cara no que tinha que fazer. Trabalhei ate das 19h30, chegava em casa quase 21h e ficava acordada ate as 2h, para acordar as 7h e ir trabalhar. Meus olhos fundos e negros identificavam que algo não estava certo com essa rotina de uma hora pra outra.

Assim, sexta-feira me decidi definitivamente sair de tudo isso e fugir da depressão em que me meti em tão pouco tempo. Excelente decisão. Fugi dos amigos, da família, de Santiago, dos problemas, das soluções, das dores e dos amores. Ontem, terça-feira eu já estava 100% Lígia Ferreira outra vez.

Algo que falar

Tenho muita coisa boa para contar, desde que junho minha vida mudou em 99%.
Mas nesse momento, muita tristeza. Pela segunda vez.
Indecisao. Saudade. Cansaco. Idéias. Ideais. Amores. Desamores.
Sao algumas das palavras que me explicam nesse momento. Quero voltar para os bracos de minha pátria, mas nao sem antes concluir minha meta.

Enlouquecendo

Depois de três meses trabalhando no Valle Nevado, me enfiam sozinha numa sala fechada, silenciosa e quentinha para realizar um trabalho por telefone.
Juro que vou enlouquecer (risos nervosos).
Terceiro dia de trabalho e as costas doem, o sono aperta, a pernas se agitam. Estou numa "dança das cadeiras" sem fim. Por sorte a sala tem janelas grandes que dão vista para... outros prédios...
Definitivamente, será difícil me acostumar com essa rotina de novo, mas estou me esforçando enquanto tomo meu quinto café do dia e olho para a construção de... outro prédio... logo ali do lado.

A Kate está apaixonada

Minha cachorra, que tem o elegante nome de Kate, é curiosamente apaixonada pelo gato do andar de cima, um gato grande e sem nome que fica olhando incansavelmente para ela.

Enquanto ele fica ali, parado na grama olhando pra dentro da minha varanda, a Kate fica desesperada, chorando, fazendo malabarismos e tentando chamar a atenção dele.

Ontem eu decidi ter uma conversa séria com ela. Já não dava mais para suportar o drama dela em amá-lo tanto e a indiferença dele para tudo isso.

“Kate, vem aqui, vamos conversar.
Você precisa entender que faça o que fizer, ele sempre vai ser diferente de você.
Ele não nasceu para ser seu par.
Ele gosta de liberdade, não ta nem ai pra ter dono, vive na rua.
Olha pra ele agora! Ta lá parado na grama, nesse frio, só te provocando pra ver o seu sofrimento.
Ele nunca vai falar a mesma língua que você.
Ele vai prometer vir te ver e não virá.
Ele vai dizer que vai mudar, mas nunca mudará.
Ele diz que não tem outras, mas lá do outro lado da rua ta cheio de gatas esperando por ele.
Ele fica ai fingindo que escuta o que você fala, mas a verdade é que ele não ta nem aí pro que você diz, ele não pode te entender.
Esse seu desespero, tentando chamar a atenção dele pro ser tão lindo que você é, nunca vai fazer diferença pra ele.
Ele ta ali parado porque quer se sentir amado por alguém, porque precisa disso pro ego dele.
Minha amada Kate, o fato é que você precisa arrumar um cachorro pra se apaixonar.
Esse gato nunca vai ser nada além de um passatempo.
Hoje ele está aqui, amanhã ele vai pra longe e te esquecerá”

Bom, com essa conversa eu espero que ela volte a ser a cachorrinha alegre dentro de casa e esqueça esse gato. Um lindo yorkshire vai aparecer na vida dela.

Uma música para a Kate: Is this love



Eu, a inadaptada

Estava relendo algumas partes do livro "A Sangue Frio" de Truman Capote. Li esse livro no ano passado para fazer uma prova na faculdade. Então a leitura não foi muito prazerosa, porque não gosto de ler livros por obrigação.
Bom, estes dias folheava o livro e encontrei um pequeno “poema” que me descreve como nunca! Vejam:

"Existe uma raça de homens inadaptados
Homens que não podem parar nem estabelecer-se
Homens que destroçam o coração de quem se acerque a ele
Que vagam pelo mundo a esmo
Percorrem a terra, remontam os rios, escalam as cumes mas altas
Levam em si a maldição do sangue cigano
E não sabem o que quer dizer descansar
Se não se movessem de uma mesma senda chegariam longe
Fortes são, valentes e sinceros
Mas acabam cansando-se de todas as coisa
E só adoram o diferente e o novo."


Sempre me sinto assim. Com vontade de coisas novas, me canso rapidamente do que virou rotina, do que vejo todos os dias. Estou sempre em busca de novidades.
Isso é muito cansativo, quando estou me estabilizando, rapidamente mudo de opinião e quero algo inovador pra mim, algo que me de mais emoção, energia.

Agora aqui estou eu, em busca de possibilidades para 2010. Dois anos no Chile parece que serão suficientes, devo ir em busca de outros horizontes.



O número 14

"Se falamos para as pessoas adultas: "Vimos uma casa linda com piso rosa, com flores nas janelas e pombas no telhado", nunca conseguirao imaginar como é essa casa. É necessário dizer: "Vimos uma casa que vale cem mil pesos"." - O Pequeno Príncipe

E eu vi um apartamento longe, com grandes janelas, uma sala espacosa, uma cozinha ventilada, um jardim bonito e lindos quadros em suas paredes. Imaginei meus amigos, minha cachorrinha, minha família. Todos juntos nas antigas cadeiras que decoram o lugar. O Pequeno Príncipe tem razao: voces nunca serao capazes de ver o quanto minha nova casa é linda. Nossa nova casa.



Quando cheguei os olhos se encontraram por alguns instantes. Não havia muito público para atrapalhar, mas os poucos outros pares de olhos que ai estavam eram suficientes para nos deixar incomodados com a situação.

O distanciamento momentâneo, por vergonha ou medo do que poderia acontecer, e a grande aproximação posterior, por desejo ou vontade de saber o que aconteceria, não foram sinais satisfatórios para os dois, que não notaram o quanto cada um tomava rumos diferentes.

O coração acelera forte até agora. Vejo aquele rosto marcante em muitos rostos pela rua. Sinto o cheiro como se ainda estivesse seu perfume na minha pele depois de uma noite intensa. E aqueles olhos que me viram quando eu cheguei numa tarde de domingo, parecem estar me olhando dia e noite. E tudo o que eu quero é voltar a vê-los diante de mim me dizendo coisas que as palavras não sabem traduzir.

Enquanto isso, as palavras me explicam coisas diferentes do que eu li dentro dele. Sua essência me educava para algo atraente, mas ele não foi capaz ou não quis arriscar sua falsa liberdade em troca de outros bons momentos como os que vivemos nesse curto espaço de tempo.

Fica o gosto de “quero mais”, porque eu ainda quero mais de ti.
Fica a vontade de continuar sendo surpreendida pelos seus sentimentos diários.
Fica a tentativa de não te deixar passar “como água correndo entre os dedos”, mas você sozinho já correu das minhas mãos.

Certo dia li que você queria me fazer feliz e que gostaria que eu pudesse te fazer feliz. Eu acreditei que você desejava que fosse assim por muito tempo. Mas sei que ainda posso realizar seu desejo se você deixar.



Tantas lunas

Sabe quando toca uma música e você comeca a pensar e pensar e pensar? Eu ando assim, emotiva ao cubo.

Qualquer música me faz reflexionar sobre minha vida. QUALQUER! E ela pode estar tocando no meio de um filme, no rádio da cozinha, no carro que passa, no fone de ouvido de alguém, em qualquer parte.

Faz tempo que nao publico nada por aqui...
Vamos tentar voltar a ativa ok? Muita coisa pra falar ainda sobre o Chile e muita coisa vivida...

PS: "tantas lunas" = muitas luas = muito tempo passado

Agora eu sei



No dia 10 de dezembro eu fui assistir o show da Madonna aqui em Santiago. O primeiro show dela aqui em 2008. Tive que trocar minha entrada porque havia comprado para o dia 11, mas depois um professor marcou a ultima prova para essa data, assim fiz das tripas o coração para conseguir trocar meu ingresso.

A principio tinha comprado o ingresso mais barato, para galeria, ou seja, o pior lugar, o que está mais longe do palco. Na hora de fazer a troca, o Rodrigo conseguiu trocar para o campo (o show foi no Estádio Nacional). Fiquei um pouco apreensiva porque eu nunca tinha assistido um show dessa magnitude e sempre escutei muitas historias sobre o desastre que é se meter no campo porque a galera se mata nesse lugar.

A troca foi feita às 19h do mesmo dia em que o show aconteceu. Chegamos no estádio próximo das 20h, o DJ Paul Oakenfold começou a tocar alguns minutos depois da nossa chegada. Não levei maquina fotográfica porque disseram que não poderia entrar, lá dentro descobri que somente eu acreditei na proibição (risos).

Aproximadamente às 21h40 o show da Madonna começou. Só com o apagar das luzes eu já me arrepiei. A cenografia no palco se movia, telas gigantes se transformavam, eu já chorava(choro e me arrepio só em escrever isso e lembrar). A Madonna ainda não estava no palco, mas eu gritava como se ela pudesse me escutar e chorava como se visse meu irmão se casando.

A expressão chilena seria “la cagó”, mas “la cagó” muito. Ainda que tenhamos chegado tarde, conseguimos ficar super perto do palco. Quando eu finalmente consegui ver a mulher, me desmanchei... era impossível não gritar e não vir milhões de imagens na cabeça.

Já não sei quais musicas ela cantou, com qual começou, com qual terminou, só sei que a cada nota, cada timbre da voz, me fazia delirar. Cantei muito errado, meu péssimo inglês não me permitiria acompanhar a Diva com perfeição, mas eu não tava nem ai, cantei assim mesmo.

Eu estava alucinada, como se estivesse drogada, em outra dimensão, era impossível que essa velha magrela loira com uma vida escandalosa e extravagante estivesse ali diante de mim. Era impossível que eu estivesse vendo de pertinho as longas pernas de uma mulher que meu pai jurava ser um homem. Eu não sabia nem no que pensar. Era emoção demais de uma só vez.

Olhava ao meu redor e muita gente estava parada, somente cantando. Parece que os fas chilenos não estavam conectados na mesma sintonia que eu. Pulava mais que pipoca na panela quente, gritava mais que virgem parindo. Não sei, juro que foi êxtase do inicio ao fim, algo que mesmo que eu tente explicar com todas as palavras que conheço, ainda assim não vou conseguir transmitir nem metade do que senti por ver ela tão de perto.

Sim meus queridos futuros filhos, vocês terão que ouvir muitas vezes essa futura mãe dizer: “Filho, eu vi a Madonna quando tinha 26 anos, você nunca irá vê-la”. Desculpe o egoísmo até mesmo com meus filhos (que eu ainda não tenho), mas eles vão ter que escutar essa historia até entenderem o valor que essa mulher tem na nossa geração.

Lembro quando ela tocou no Brasil lá pelos anos 80... lembro que eu vivia no Rio ainda e era muito pequenininha, lembro que meu pai chamava ela de “esse cara gay”, lembro que o show foi um escaaaandalo, que os jornais falaram disso por dias, que as pessoas estavam horrorizadas com a sexualidade que ela mostrava em seu espetáculo. E observem que minha memória é super ruim, pra eu me lembrar disso é porque me marcou mais do que deveria.

Ver o show dela ao vivo e de tão perto foi maravilhoso, é algo indescritível, inesquecível, alucinante. Como o Rodrigo diz, é uma mistura de Cirque Du Soleil com Madonna. É divino, coisa de diva mesmo. Essa é rainha de verdade.

Depois disso posso morrer feliz, faltaria ainda ver Shakira e Michael Jackson, mas só com a Madonna eu já estou satisfeita. E agora sim eu entendo vocês.

Entendo vocês que dormem nas portas dos estádios para serem os primeiros a entrar. Entendo vocês que pagam qualquer coisa pra ver seus artistas favoritos. Entendo vocês que saem do Amazonas para ir até São Paulo só pra poder ouvir a musica ao vivo. Entendo o que vocês me diziam quando estavam por ir ao show de U2, por exemplo (Ketilys, Mayra, Fabinho). Agora entendo a emoção que dá essa coisa...

Não tenho mais expectativas depois dela... tenho a sensação de que nenhum outro show me emocionará... êxtases!

O homem da minha vida

Às vezes me dói um pouquinho por estar perdendo coisas assim:


Adios a algunos

Ainda não tive que dizer adeus para algumas pessoas, mas o momento está chegando.
O fato é que muitos se vão nas próximas semanas e eu fico, vou, volto, enfim...

Conheci muita gente bacana, a maioria são de outros países ou regiões, uma boa parte brasileiros. Pessoas que fizeram a diferença por aqui, onde não consegui criar vínculos muito fortes.

Em especial, conheci uma brasileira que me procurou querendo saber informações sobre o Chile antes mesmo de virmos. Chegamos em Santiago quase juntas, em fevereiro, nos conhecemos pessoalmente pouco tempo depois e desde então, ainda que não com muita freqüência, nos encontramos muitas vezes, saímos juntas, reclamamos, fizemos planos, fofocamos, apresentamos pessoas, nos socializamos.

Com um nome não muito comum nem no Brasil, a Geisa fez sucesso pelo Chile e viveu emoções como eu. Companheiras de aventuras, mesmo que aventuras separadas, mas momentos que compartilhamos em algum momento e que agora se acabarão por algum tempo e distancia.

Claro que com isso eu agora tenho mais motivos para conhecer outras regiões do Brasil, para viajar e ir visitar amigos feitos fora da fronteira. Mas abraços apertados já me fazem emocionar e sentir o coração batendo forte pela despedida que virá muito em breve, pela saudade que chegará.

Ano que vem haverão novas emoções e choros, uma rotina que talvez vai acontecer muitas vezes ainda.

Um amigo me recomendou um novo seriado do canal HBO chamado ALICE. Na verdade já tinham falado do seriado antes e eu também já tinha visto a propaganda, mas ainda não tinha assistido. Quando ele insistiu demais para que eu visse, ok, concordei e liguei a televisão justo na hora em que estava passando.

O episódio que eu vi não me comoveu muito, no sentido de não ter me empolgado para ver novamente. Mas alguns dias depois ele veio me perguntar se eu havia assistido e o que eu achava. Depois falou que ele via o seriado e lembrava de mim. Perguntei porque (éramos dois jornalistas conversando e quando isso acontece a conversa parece mais uma entrevista ou interrogatório). E ele respondeu que tem a sensação de que eu passo pelas mesmas peripécias que a personagem principal, os dramas, emoções, loucuras. Eu ri e disse que assistiria novamente (mas no fundo o comentário me incomodou, porque o episódio que eu tinha visto mostrava muito sexo e eu entendi o comentário dele de uma outra forma, talvez).

Hoje sentei na cama decidida a ver o novo episódio para entender o que ele falava. E já na primeira frase que ela, Alice, falou, eu me identifiquei. Foi algo como:

“Eu vou fazer 26 anos e só agora eu aprendi a andar de salto alto. É engraçado, parece que eu to vendo as pessoas de cima (...) Às vezes eu sinto saudade de casa, mas o que eu menos tenho é tempo pra pensar nisso” – Alice

E com essa fala eu fiquei ligada no episódio inteiro. Isso porque o que ela disse é algo que aconteceu comigo. Agora com 26 anos eu fui descobrir os “prazeres” em usar um salto alto fino. Antes eu sempre olhava para os sapatos elegantes com uma cara de desprezo. Porque eu achava difícil demais andar com salto, além de que minhas saias indianas e meu cabelo desalinhado não combinavam com um salto “Luis XV”, como minha mãe chama.

Depois que mudei para Santiago eu comecei a ter uma fixação por sapatos. Pode ser pelo estilo das pessoas com quem convivo ou porque mudanças acontecem com os seres humanos todo momento. Agora eu não consigo passar indiferente diante de uma loja de sapatos e tenho vontade de ter de todos os tipos, cores, tamanhos... um dia chego lá!

Além dessa semelhança eu, obviamente, também sinto falta de casa e da família. Mas o agito aqui é tão grande e gostoso que eu simplesmente não consigo parar para pensar nisso. Vez ou outra, em um momento de crise existencial, eu deito na cama ou me banho pensando no quanto seria bom estar em casa, mas logo acontece algo ou chega alguém que faz os pensamentos passarem e a tristeza não consegue entrar de vez na minha cabeça.

Esse final de semana eu estava um pouco “deprê”. Sentei na escada da casa e tomei alguns copos de vinho tinto. O vinho não era muito bom, mas me distraiu enquanto não havia ninguém por perto para atrapalhar meu momento solidão. Lembrei de casa, do meu sobrinho que não estou vendo crescer e se quer tenho noticias na quantidade em que eu gostaria. Pensei nos cachorros que eu tanto gosto e não vejo mais fazendo bagunça em casa ou dormindo agarradinho comigo. Pensei no meu pai deitado no chão numa tarde qualquer para descansar porque esse, para ele, é o melhor lugar para deitar e relaxar. Pensei na minha mãe sentada na sala fazendo crochê e fingindo que está vendo televisão. Pensei no meu irmão na casa dele jogando videogame e na minha cunhada lendo um livro no mais tranqüilo sossego que ela tanto gosta. Pensei na Mayra me ligando pra irmos ao forró e nesse momento sorri como se ela realmente estivesse ali, me chamando e eu aceitando ir sem precisar pensar muito.

Pensei em tanta coisa que o vinho foi baixando dentro do frasco. Mas ai lembrei da festa que eu tinha para ir, porque havia ganhado uma entrada. Então os pensamentos fugiram, as lágrimas foram enxugadas e eu voltei a vida santiaguina. Entrei no quarto e disse: “Vamos?”. Os olhos ainda estavam mareados e um abraço foi inevitável. Alguns minutos depois estávamos na rua rindo, cantando, dançando e nos divertindo. No dia seguinte, tudo voltou a normalidade...

Por isso posso copiar o desfecho da Alice e dizer: "Espelho, espelho meu, existe alguém mais Alice do que eu?"

A vida aqui não pára, não dá tréguas...

Convivencia

Conviver com outras pessoas não é fácil, tenho que confessar. Se com a família a coisa já não era tão tranqüila, imagina viver numa casa com várias pessoas desconhecidas. Eu sequer consigo confiar na maioria delas. E a dificuldade não é somente no relacionamento interpessoal, que no meu caso já fica mais difícil porque eu tenho a mania de querer que as pessoas sejam perfeitas, enquanto eu mesma não o sou.

Mas, além disso, vem também a desorganização, a sujeira, o barulho, a infidelidade, os maus costumes, os roubos, o egoísmo, a falta de caráter, uff.

Exemplo 1 – cada um tem seu dia para usar a maquina de lavar roupas, mas nem todos respeitam essa ordem. Às vezes você quer lavar sua roupa e não pode porque tem outras lá. Passei a fazer o mesmo.

Exemplo 2 – as roupas desaparecem enquanto estão secando. Já tive uma meia-calça desaparecida e agora uma blusa segunda-pele. A idéia inicial era que alguma das meninas tirava do varal por engano, mas a meia, por exemplo, nunca foi devolvida. Haja tempo para enganar-se com a roupa de outra pessoa né. Só não entendo porque roubam minhas roupas se elas certamente não cabem nas fofurinhas de chilenas que vivem por aqui. Deve ser por isso que não me devolvem, já que depois de uma tentativa de uso a roupa ficaria fora dos padrões para mim. Isso já está me irritando.

Exemplo 3 – jovens que nunca estiveram fora de casa ou que não tiveram mães mais preocupadas com sua evolução enquanto ser humano não têm o costume de saber fazer as coisas, e eles se esquecem que não possuem mais empregadas também. Então você encontra louça suja na cozinha, comida pelo chão, luzes acendidas durante o dia, calefator sem uso gastando gás, entre outras.

Fora o que acontece e incomoda diretamente a mim (o caso da sujeira é o que mais me deixa com os nervos a flor da pele), existem os outros casos em que incomodam aos outros, como barulhos , roubos de comida (comigo nunca aconteceu).

Nessas horas eu fico impressionada e sempre me encontro lembrando velhos tempos. Porque eu reclamava tanto da insistência que minha mãe, desde sempre, tinha em querer que eu e meu irmão aprendêssemos a cozinhar, lavar, que fossemos organizados, honestos, econômicos, e agora noto (e agradeço muito a ela) o quanto tudo isso é essencial na vida.

Ela tinha total razão em querer me ensinar a fazer arroz, feijão, carne. Ainda que tenha me ensinado a fazer comidas básicas, eu acabei aprendendo a cozinhar. Vejo as meninas aqui, elas compram macarrão e salsicha todos os meses e não sabem fazer outra coisa. Não sei se passam fome, devem comer pela rua também, mas não se alimentam bem. Nem um tomate, uma batata, algo que complemente, nem isso eu vejo na dispensa delas.

Mamãe (leia-se: Dona Gê) também me mostrou o quanto é importante ter ambientes limpos e organizados. Sei que dentro da minha casa, com meus pais, eu não respeitava muito essas regras, mas as aprendi, ainda que não praticasse muito antes (risos). Aqui na república (como chamamos casas para estudantes), não vejo muito isso. Eles não se importam se a mesa está toda suja, simplesmente sentam, comem e levantam deixando-a ainda mais suja. Não se importam se o chão da cozinha está cheio de restos de comida ou sujeira, entram e saem sem limpar. Eu não consigo fazer isso. A cozinha acabou se transformando em minha área, ali eu meto bronca em qualquer um que demonstre maus costumes. Estou sempre tentando deixá-la limpa, cheirando bem. Não da pra cozinhar e comer num lugar todo sujo como eles fazem. Não consigo.

Por essa e por outras que agradeço a Dona Gê pela insistência em me ensinar a ser alguém. Por ter tido paciência em me mostrar os caminhos mais amenos e socialmente aceitáveis. Num momento como agora eu sei me comportar como ser humano evoluído e não como animal. São coisas que adquirimos em casa, de nada vale dizer vinte vezes para quem não tem bons costumes, depois de grande, como eles, só vão mudar se realmente quiserem, e não creio que essa seja a intenção.

Mãe, tirei um 10

Hoje tive prova de Rádio. O teste era fazer um programa radial com notícias e sabíamos disso há uma semana.

Eu não sabia quem iria entrevistar, porque ainda fico com um pouco de medo de fazer perguntas e ouvir respostas em espanhol. Me dá uma sensação de que eu não vou conseguir entender o que estão me falando.

Mas como a vida tem sido muito boa para mim, ela me presenteou com um acontecimento sendo noticiado do centro de Santiago, bem próximo a minha casa.

A notícia que aparecia na televisão, na tarde da última quinta-feira, era: “Morre general diretor da polícia em acidente de helicóptero no Panamá”. Uhuuulll, eu pensei (um pouco insensível com o fato de que alguém tinha morrido e eu estava feliz). Minha chance. Os jornalistas estavam diante do escritório da polícia, que fica em frente a La Moneda, ou seja, há duas estações de metrô para mim.

Peguei meu super telefone gravador, troquei de roupa e arrastei o Rodrigo junto comigo. Ficamos junto com os jornalistas das 16h e algo até as 20h30. Correndo de um lado pro outro. Sendo apertados, espremidos, empurrados, só para gravar algumas autoridades falando. Estávamos (eu pelo menos) adorando aquela sensação.

Eu me sentia gente grande. Olhava pro lado e via todos os rostos que sempre vejo na televisão. Os atuais ícones jornalísticos dos canais chilenos. Todos ali, do meu lado, trabalhando. Adorei!

Hoje escrevi o livreto de radio para gravar no programa. Estava um pouco tensa, mas feliz com minha realização. Fui pra faculdade e narrei. E advinha?

Mãe, tirei um 10!!! Ok, na verdade foi um 7, mas a nota máxima aqui é 7, então, vale como 10... e isso são para os deuses por aqui. Quem tira a nota máxima é o gênio da classe. Isso significa que to podendo. Me da licença que eu quero passar (ou me formar). Sou uma deusa, um gênio, inteligente, capaz... uhhh, to me sentindo mesmo! Feliz...

Ai vai o que eu gravei:



Agora vou estudar pras outras provas teóricas (aff)...

Você tem sede de que?


Hoje bateu uma saudade gigante do meu pai. Pela primeira vez falei para ele que sentia vontade de voltar para casa às vezes. Nunca tinha dito isso a ele ou para minha mae, porque imagino o quanto deve doer neles ouvir isso da filha que ta longe. Entao mesmo que o coraçao esteja apertado, me seguro e sempre digo que está tudo bem, que to feliz e sem problemas.

Mas como em uma vida normal, vez ou outra da um aperto olhar para o lado e nao ver nada que seja seu. Ok, tenho minhas roupas e objetos pessoais, mas da pra entender a falta que faz as paredes da minha casa?

E hoje veio meu pai na cabeça. Seu abraço apertado, suas brincadeiras, suas broncas, as muitas vezes em que se preocupou comigo, as poucas vezes em que discordou comigo, os momentos em que saíamos juntos nem que fosse para sair por um lado da cidade e entrar pelo outro. Sair para percorrer a cidade de patins (e ele de bicicleta, claro). Enfim, os inúmeros momentos vividos. Até a primeira e única vez que disse para ele, olhando nos olhos, que o amava.

Recordo deste dia porque ele respondeu que tinha esperado mais de 20 anos para ouvir isso. Espero que ele saiba o quanto ídolo ele é e o quanto me faz falta. Ok, deveria dizer essas coisas para as pessoas mais vezes, mas me custa.

E eu tenho sede de que? Do bendito Toddynho que seu Jao me trazia sempre do supermercado e que aqui nao existe.

Visita ao Brasil X Saudade

Como falei no post anterior, estive no Brasil por três dias no mês de abril. Passei as horas entre a casa de meus pais (ia escrever "minha casa", mas já nao me sinto a vontade para isso), a casa do meu irmao e alguns passeios, como boliche e shopping.

A chegada ao meu país me deixou nervosa, ansiosa. Estava com muita vontade de ver minha família, meus cachorros, sentir o cheiro de meus parentes, da cidade poluída onde vivia, admirar as paisagens por quais sempre passei e nunca dei muita importância.

Cheguei a Sao Paulo e meu irmao me esperava. O vi de longe, sabia que ele estaria aí. Seu rosto ao me ver era de uma emoçao gigantesca, de contençao da emoçao. Um abraço apertado e poucas palavras resumiu meu retorno.

Estive com meus pais, me fizeram milhares de perguntas, queriam saber tudo, o tempo era curto, a vontade de falar também. Entao creio que voltei sem deixar muitas novidades. Até porque nos falamos todos os dias por telefone ou skype, portanto nao existe muito que eles nao saibam.

O cheiro da minha casa é inconfundível. O cheiro do sabonete dos cachorros, do perfume que ninguém usa, do sabao que limpam a casa e lavam as roupas. O cheiro dos meus pais, esteja eu onde estiver, sempre vou saber identifica-lo de longe. Meu pai tem um perfume natural a homem, a pai, a madeira (porque é marceneiro). Minha mae nao poderia ter outro cheiro que nao fosse de mae, de peito, de leite, às vezes do perfume que ela usa poucas vezes...

Estar com eles por alguns dias carregou minhas energias, minha vontade de vencer, meu desejo de seguir adiante e ser a filha vencedora que desejam desde que nasci.

Os dias tao ocupados aqui em Santiago nao me deixam pensar muito na saudade que tenho do que deixei. Mas estes dias no Brasil me fizeram pensar muito nisso tudo. Naquele momento, pensava tanto no quanto todas coisas me faziam falta, como quanto a vida em Santiago também fazia.

Voltei para o Chile com outro ânimo e com a certeza de que a vida pode passar, o tempo nos fazer esquecer muitas coisas (principalmente para uma mente esquecida como a minha), mas que com certeza a família sempre vai ser UMA. Minha família ainda que nao aparente ser muito unida para nós mesmos, sem dúvidas tem um vínculo fortíssimo que nao consigo encontrar em nenhum outro lugar, com nenhuma outra pessoa.

... emoçoes ...